sábado, 6 de junho de 2009

TCC


Casei. Eu não sabia, mas desde que comecei TCC I me meti em um relacionamento sério, ás vezes enlouquecedor e, graças a Deus, com hora pra acabar. É caso de união instável, cheio de idas e vindas, e constantes problemáticas a serem resolvidas.


No início tudo são flores, você e o tema se conhecem por ai na faculdade, se encantam. Vai conhecendo melhor, descobrindo as referencias e começando a achar que, sim, é ele! Então resolve oficializar as coisas: apresentar pra família, para o orientador e começa a colocar tudo nas regras da ABNT. Quando nos damos conta, estamos ali, perdendo noites de sono por causa dele.

E é um desses relacionamentos em que a pessoa tem que abandonar a vida social e viver em função do outro. Canoa mesmo. Se me chamam pra sair eu tenho que dizer 'vou ver aqui o TCC, pra ver se a gente vai'. É, a gente. Porque quando saio ele vai junto. Ou vejo embalagens em qualquer estampa de camisa alheia ou fico me perguntando 'o que é que eu to fazendo aqui que não tô fazendo meu TCC?'.

Os amigos estão quase todos na mesma. Até as conversas passam a girar em torno disso. Na faculdade quase ninguém mais pergunta como você está, mas sempre querem saber como ele vai. É ai que a gente constata que, em tão pouco tempo, ele já tomou conta da escrivaninha, dos seus favoritos e dos arquivos do computador.

O pior é que ainda vivemos triângulos amorosos. Eu, minha dupla e o TCC, por exemplo. Nos apaixonamos pelo mesmo tema e decidimos dividi-lo. E, vejam bem, não é que possamos fazer a possessiva e querer ele só pra gente. Se uma se enche dessa coisa toda e resolve desistir a outra não fica feliz e tem que dar aquela força, convencer que está tudo bem e que ainda vai dar tudo certo.

Mesmo com tudo isso, como a maioria dos relacionamentos, esse é mais um daqueles que apesar das coisas ruins ainda consegue te fazer feliz. Ele te faz perder noites de sono, ás vezes alguns passeios.. mas dizem que é só questão de resolver os problemas geradores, confirmar as hipóteses e quando os objetivos (gerais e específicos) começam a ser alcançados a gente realmente vê que vale a pena. A rotina as vezes é cansativa, mas sempre tem dias bons em que o referencial teórico anda e a metodologia finalmente é concluída!

Há quem diga que é melhor desistir, quem busque pares perfeitos na internet.. Mas todo dia a gente aprende que se não houver entrega a recompensa não tem o mesmo gostinho. E esses relacionamentos acabam sendo sempre formas de crescimento, mesmo quando a gente acha que não tá mais dando certo..

A melhor parte é que há vida (e mais trabalho!) após o TCC. Ainda nos apaixonaremos por outros temas, nos casaremos com muitos projetos.. e o mais importante de tudo é que eles continuem nos fazendo felizes para sempre.

terça-feira, 5 de maio de 2009

Quem somamos


Dia desses no shopping vi casalzinho de franja cobrindo os olhos, meias listradas e cintinho igual; passaram de novo por mim, e de novo e de novo. Depois da terceira, comecei a desconfiar que não era o mesmo casal e ainda assim, de todos que passavam, eu nunca conseguia distinguir qual era o menino e qual era a menina (nem simplesmente se eram dois meninos ou duas meninas.). É um tempo das tribos. Dos emos, dos indies, dos cantores de axé.. (não, esses últimos são atemporais.) As pessoas se agrupam, compartilham o que pensam, o que vestem, músicas nos Ipods e, dizem, o que são. Nessa parte, sobre o que se é, tenho lá minhas dúvidas. E algumas certezas.


Não duvido que as presenças que experimentamos durante as nossas andanças possam acrescentar consideravelmente ao que no fim nos tornamos. Mas somos soma e não simples reprodução, não é? Acho que ainda que grupos, cada um trás sua bagagem. Tenho amigos que usam drogas e amigos que cantam no coral da igreja, aprendi muito com os dois tipos e não faço nenhuma das duas coisas. O diga me com quem andas e te direi quem és tem cara de tias velhas conservadoras que olham bando de jovens e dão aquela balançadinha de cabeça desaprovadora. Nossos dias, hábitos, nossas relações e trocas cada vez mais intensas têm mais cara de diga me quem és e te direi quem encontraste, ou algo do tipo.

Não nos bastamos e penso ser difícil que um dia possamos ser auto-suficientes. É típico de ser gente isso de se juntar. E vai ver que é ai que mora o crescimento. Encontros, conversas, trocas. Não se troca muito quando se é igual. (Ou quando estamos satisfeitos com o que somos prontoacabou.)

E é provável que cada encontro nessa vida seja um aprendizado, uma experiência ou no mínimo uma mentira nova pra contar. Quem mede os quais se junta perde mais do que pode calcular. Professor, Doutor .. até que sabem de umas coisas, mas bêbado de fim de festa, idoso em ônibus e criança perdida já me ensinaram boas coisas que nem no Google dá pra achar.

Pessoa disse, e eu não ouso não reproduzir direitinho, que 'Regra é da vida que podemos, e devemos, aprender com toda a gente. Há coisas da seriedade da vida que podemos aprender com charlatães e bandidos, há filosofias que nos ministram os estúpidos, há lições de firmeza e de lei quem vêm no acaso e nos que são do acaso. Tudo está em tudo.' É fato que está. Não podemos supor que o que nos vale estará de fato na biblioteca, Tesouro da Juventude.. tem dias que o que nos falta está na turma da Mônica ou lá em Calvin e Haroldo!

Somos aquela velha, batida e muito verdadeira história da colcha de retalhos, e quem chega aos 25 achando que já está bem costurado deixa de achar muito tecido, textura e caimento (ui) novo por aí. Até o fim estamos aprendendo, afinal ainda que já tenhamos visto tudo no mundo (o que nem Dercy viu.) ele, e as pessoas que estão nele, tornam a mudar a cada dia, não é? Não desperdicemos os encontros, as pessoas e os novos 'nós' que ele podem nos trazer. Diremos com quem andamos e qual parte de nós eles fizeram.